SOBRE A EXPOSIÇÃO:

Em "SEM PÚBLICO", Nara explora os impactos do isolamento social em sua auto percepção e identidade.

SOBRE AS OBRAS:

"nada" abre a exposição explorando o conceito do niiilismo, abordando tanto seu lado positivo quanto negativo. A falta de significado é, afinal, a fonte da desgraça e da paralisia emocional, ou ela é uma oportunidade de se libertar da necessidade de ter um propósito por trás das nossas motivações, abrindo portas pra novas possibilidades e nos permitindo viver a vida de uma nova maneira? A obra também faz um paralelo com a falta de norte que o isolamento social trouxe para muitas pessoas. O quanto da nossa identidade está ligada às nossas motivações?

"O último grão" marca a primeira crise de identidade da narrativa, mostrando um conflito entre diversas personalidades. Ela também faz alusão à sensação de encarceramento por conta da pandemia e do isolamento social.

"flutuando pra dentro do meu pescoço" trata de dissociação e a dificuldade para assimilar uma nova realidade, resultando em uma perda da noção de si.

"O Vácuo" retrata a solidão em uma prisão mental, que é exacerbada pela falta de válvulas de escape.

"Corte-lhe a cabeça" traz em si a temática de vergonha e culpa sexual. O conceito da obra é inspirado pelo livro "A letra escarlate", de Nathaniel Hawthorne.

"SE EU FOSSE UM HOMEM" retrata o questionamento obsessivo: "quem eu poderia ser, o que eu poderia fazer, se eu fosse um homem?".

"eu não me quis" traz os primeiros indícios de descobrimento do fogo interior. Junto a essa experiência, ela traz também a aversão ao poder interior, o impulso de ser menos e se reduzir por medo de ser quem é.


"LIMITES" retrata o encontro da força e poder de criação à partir de limites. É possível que os limites tenham a capacidade de abrir espaço pra algo novo? Como o isolamento social pode ser o gatilho para uma criação de algo que vá além do que achamos ser possível?

"INTERLÚDIO I ("o que é isso?")" retrata a primeira pausa na narrativa da exposição. A obra explora a ideia de acessar seu poder interior sem precisar compreendê-lo.

"74189 fios de cabelo" representa o processo de assimilação de grandes mudanças que fragilizam a fundação da nossa identidade própria.

"o silêncio (E O GRITO!!!)" retrata a experiência de vivenciar extrema dualidade ao explorar sua identidade interior.

"quando você para pra pensar, tudoéconectado"  representa a busca incessante (e, por vezes, compulsiva) por um sentido maior, um propósito ou justificativa diante de situações de instabilidade.
 
"Olhei pros Dois lados" é o momento de identificação com Forças Maiores.

"Regra: "amnésia"" demonstra o momento em que o esquecimento de tudo, a perda total de lógica, sentido ou razão se mostram necessários. Marca a segunda crise de identidade da exposição e, nela, temos o retorno das questões internas não resolvidas.

"Interlúdio II" representa uma pausa mais ordenada que aquela que vimos em "INTERLÚDIO II ("o que é isso?")". Nela, temos uma conexão além da compreensão humana.

"O canto do Útero" demonstra a assimilação do Poder Interior, a calma no caos, a transformação de transformar aquilo em sua volta.

"é temporário" questiona: somos nossas personalidades ou não? Todo mundo que a gente é é passageiro? Temos mesmo uma identidade?

"L'appel du vide II" representa o expurgo dos conflitos internos antes escondidos. Também marca o momento da aceitação da expressão como potência curativa.

"no topo do MEU mundo" nos convida a nos permitir sentir euforia e grandeza. A obra nos questiona: eu aceito ser o centro do meu mundo e me apropriar disso? É possível sentir tais coisas de forma funcional sem que nos isolemos da sociedade ou sem que nos coloquemos como superiores aos outros?

"A DANÇA" é o descobrimento de novas identidade através da arte e da auto expressão.

"se nem você sabe" nos instiga a aceitar a realidade de que não sabemos de tudo e não temos todas as respostas.
 
"Alguns passos pra frente, alguns passos pra trás" é um convite para mergulharmos na beleza tanto das pequenas coisas, como também a beleza do processo, independente de seu ritmo. 

"Narradora Onipresente não Confiável" trata da tranquilidade da calma pós a tempestade. A obra também questiona: podemos confiar na artista? A arte é maquiada ou não? Posso confiar no que a artista diz quando ela não está mais no olho do furacão?

"eu já te disse tchau pelo menos um milhão de vezes" marca o fim do processo, a cobra comendo o próprio rabo enquanto se prepara para um novo ciclo. Os ciclos são sempre os mesmos, ou são diferentes (mesmo sendo idênticos) pois nós mudamos? Independente do isolamento social, vivenciaremos os mesmos conflitos no futuro?